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Acesso ao carro sustentável assegura novos entrantes e empregabilidade
Os desafios da mudança climática e, por consequência, a necessidade de transição energética por veículos mais limpos mudaram o cenário mercadológico do setor automotivo brasileiro, nos últimos dez anos.
A partir de 2015, representantes de montadoras chinesas começaram a trazer as primeiras unidades de veículos leves elétricos e eletrificados (MHEV, HEV e PHEV), com a bandeira da descarbonização veicular. É correto afirmar que os BEVs (100% elétricos) e o híbridos plug-in (mesmo com motor a combustão a gasolina) poluem menos que os carros puramente movidos a gasolina.
Por conta dos early adopters e dos preços hipercompetitivos, carros chineses – com aquelas tecnologias – foram abraçados por consumidores brasileiros. Veículos de origem chinesa já chegam a quase 10% do mercado interno nacional.
Pois bem. Demorou, mas chegou. O Governo brasileiro lançou, há dois meses, o programa Carro Sustentável, por meio do qual o IPI é zerado, até dezembro de 2026, aos produtos fabricados no Brasil que emitam menos de 83g de CO2 por quilômetro, contenham mais de 80% de materiais recicláveis e que se encaixem nas categorias de carro compacto (subcompacto, compacto, utilitário esportivo compacto ou picape compacta).
É sim uma resposta à avalanche de carros chineses. Mas por motivos compreensíveis e justos. Com essa medida, os descontos podem chegar a R$ 13 mil nos modelos de entrada e os especialistas arriscam em afirmar que as vendas podem alcançar mais de 100 mil unidades ainda este ano.
Nós, da AEA, embora sejamos uma entidade técnica, sempre defendemos a tese de que o polo automobilístico brasileiro deve levar em consideração o tripé econômico, social e ambiental. Ou seja, o programa Carro Sustentável proporciona à indústria nacional escalabilidade (produtividade), gera empregos diretos e indiretos, e, finalmente, auxilia o País na produção automóveis limpos, capazes de proteger o meio ambiente.
De outra parte, é imprescindível ter produtos que correspondam às expectativas de compra dos brasileiros. Sem os novos consumidores, não teremos uma cadeia automobilística forte e sadia. O equilíbrio é fundamental.
Boa leitura a todos desta 9ª edição do AEA News.
Marcus Vinicius Aguiar
Presidente AEA
SIMEA 2025 debate mobilidade mais limpa, conectada e eficiente
A 32ª edição do SIMEA – Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, promovido pela AEA, reuniu nos dias 13 e 14 de agosto último, no Novotel Center Norte (SP) especialistas da indústria, governo e academia para debater tendências, políticas públicas e tecnologias que vão moldar o futuro da mobilidade no Brasil. Durante dois dias, foram abordados temas como descarbonização, eletrificação, conectividade, inteligência artificial e novos combustíveis.
No primeiro dia, Thaianne Resende (MMA) destacou os avanços dos programas Proconve e Promot, que reduziram em até 99% os poluentes emitidos pelos veículos desde a década de 1980. Fernanda Rezende (CNT) apresentou três frentes para a transição: diversificação energética (biometano, hidrogênio, diesel verde, elétricos), modernização da infraestrutura e uso de dados para eficiência e segurança. Heloisa Loureiro (Insper) defendeu soluções integradas, compartilhamento e foco no coletivo para cidades mais inteligentes e resilientes.
No período da tarde, Fabio Ferreira (Bosch) apresentou megatendências da mobilidade – eletrificação, direção automatizada e experiência digital – e projetou que o mercado global de eletrônica e software automotivos chegará a US$ 462 bilhões até 2030. Roberto David (Petrobras) mostrou o portfólio de combustíveis de baixo carbono da companhia. A mesa redonda Desenhando o Futuro da Mobilidade discutiu eficiência logística, biocombustíveis e impacto das mudanças climáticas sobre o transporte.
O segundo dia começou com Paula Aluani (Google/Waze), que apresentou soluções como o Greenlight e o Environment Insight Explorer para reduzir congestionamentos e emissões. Murilo Ortolan (AEA) abordou quatro eixos estratégicos – descarbonização, emissões de veículos leves, segurança e IA/conectividade – e defendeu rotas plurais para veículos pesados.
Na sequência, Rodnei Bernardino (consultor) falou sobre integração entre tecnologia, finanças e experiência do usuário, destacando mobilidade como serviço e veículos por assinatura. Thiago Samarino (ABGi) apresentou o Programa Mover e incentivos fiscais para inovação no setor.
O evento foi encerrado com a mesa Das Pistas para as Ruas, que reuniu pilotos e executivos para mostrar como o automobilismo acelera a transferência de tecnologias – de motores mais eficientes a combustíveis e componentes testados em condições extremas – para veículos comerciais e de passeio. [LEIA MAIS].
Motocicletas: as realidades do Oriente e do Ocidente.
Em 2017, tive a oportunidade de visitar a Indochina (Vietnã, Camboja, Laos) Tailândia e outros países da Ásia. Foram 48 dias de aprendizado em outras culturas. Como motociclista, não pude deixar de observar .o impressionante volume de motocicletas que circulam nas grandes cidades asiáticas e a aparente harmonia no trânsito. Mesmo com um número muito elevado de veículos de duas rodas, a fluidez do tráfego, em meio ao que poderíamos considerar um “caos organizado”, era notável.
A experiência foi particularmente marcante em Hanói, no Vietnã. Com o espírito de um bom observador, em Hanói, aos domingos, eu ficava em um restaurante numa das esquinas da praça principal para tomar smoothie (o melhor que já tomei na vida) e acompanhar atentamente os impressionantes deslocamentos de condutores de duas rodas e, apesar da ausência de sinalizações claras ou fiscalização ostensiva, não presenciei um único acidente e ainda aprendi a atravessar a rua sem ser atropelado.
E as perguntas que me fazia no início da viagem – Como não causam acidentes? Como é possível atravessar a rua entre tantas scooters que continuam andando e sem acidentes? – persistiam.
Como único veículo possível, lá ia a família de até cinco seres humanos em uma scooter, obedecendo a faixa etária de seus ocupantes. Na frente, pisando em um suporte de madeira, o menor, e põe menor nisto, e assim por diante e claro naquele entrevero de scooters. [LEIA MAIS].
Seminário de Inovação em Powertrain reforça soluções ecléticas de descarbonização
– Evento online abordou a vantagem do Brasil pela maturidade e oferta em relação a biocombustíveis e o privilégio de ter uma matriz energética limpa.
Na 11ª edição do Seminário de Inovação em Powertrain, encontro técnico organizado pela AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, ocorrido no formato online, no dia 26 de junho, representantes da indústria e da academia foram unânimes na avaliação de que na busca pela descarbonização não há uma única solução, mas diversas, em especial por conta da abundância de fontes energéticas renováveis no Brasil.
Sob o macrotema “Inovação e sustentabilidade: a evolução do powertrain no Brasil”, a primeira palestra foi conduzida por Gábor Deak, diretor de Tecnologia e Sustentabilidade do Sindipeças, quem fez um detalhado retrospecto sobre a produção e o consumo de petróleo, passando por análise acurada dos países que mais produzem e consomem o combustível fóssil e ainda sobre o privilégio de o Brasil contar com 89% de sua matriz energética renovável, quando – na outra ponta – a Arábia Saudita responde por apenas 1%.
“A posição do Sindipeças é agnóstica, mas está muito evidente que o Brasil precisa decidir-se pelos biocombustíveis, até porque segundo nossas projeções para 2040, a frota circulante nacional será ainda de 88% de veículos com motores a combustão interna”, argumentou Deak.
“Desafios do desenvolvimento de ônibus elétricos” foi o tema da apresentação de Natália Costa, gerente de Desenvolvimento de Produto da Daimler Truck, para quem, depois de lembrar que em Santiago, no Chile, 35% dos ônibus urbanos são elétricos, e em Bogotá, 15%, “300 novos ônibus elétricos entraram em circulação em 2024 e, de janeiro a maio deste ano, 250 unidades, ou seja, teremos um crescimento bastante expressivo”.
Por conta dessa celeridade de mercado, Natália Costa enfatizou que esse segmento necessita de padronização, engenharia de dados e de escalabilidade para suportar o desenvolvimento de powertrain específico para o Brasil quanto ao relevo das cidades, número de paradas nos diferentes percursos, temperatura ambiente e trânsito.
Também por conta de o Brasil ser um país privilegiado por sua matrizes energéticas limpas, Marcio Melhorança, diretor de R&D da Horse Latam, discorreu sobre a importância da nacionalização de motores a combustão eficientes. Fez ampla explanação sobre os motores GDI Turbo HR10 e HR13, e avançou sobre a tecnologia Range Extender desenvolvida nacionalmente para veículos híbridos, com motor Horse aliado a um gerador/bateria elétrica da WEG.
A penúltima palestra do Seminário AEA de Inovação em Powertrain foi conduzida por Ana Eliza Braga, gerente de Programas da Fundep I Fundação de Apoio à Pesquisa da UFMG. Ela fez uma atualização das linhas IV, V e VI dos Programas Prioritários do Mover. E a última ficou a cargo de Cristiano Zia, da Cummins, sobre “MAR II – Os desafios tecnológicos e soluções para o mercado brasileiro”, legislação em construção entre AEA e Governo que conduzirá o setor de máquinas e implementos agrícolas e de construção para níveis mais reduzidos de emissões de poluentes, com mais tecnologias embarcadas e maior eficiência dos motores.
Ao final do evento, os cinco palestrantes do seminário participaram da sessão de debates, mediada por Ricardo França, do Innospec.
Conselho Editorial:
Anderson Suzuki, Everton Lopes, Luciana Giles, Marinna Silva e Raquel Mizoe
Jornalista Responsável:
Koichiro Matsuo – MTb 13 224
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