Destaques

COP30 entra na pauta do Seminário de Manufatura da AEA

Por Texto Final

X Seminário de Manufatura da AEA revisa o passado, contextualiza o presente para projetar o futuro

30/09/2025 – A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) reuniu na quinta-feira, 25, estudantes, engenheiros e profissionais do setor automotivo no X Seminário de Manufatura sob o tema COP 30 e o Papel da Manufatura no Novo Cenário Automotivo Brasileiro.

Fernando Villela, um dos coordenadores do evento, iniciou os trabalhos do dia com a introdução da pauta, na qual os desafios da descarbonização e os novos arranjos produtivos seriam fios condutores de apresentações e debates para deixar uma provocação ao questionar modelos de produção: “Vale a pena produzir no Brasil? E de que maneira?”

Com seminário aberto, Alessandro Rizzato, gerente de Transição Energética da Confederação Nacional da Indústria (CNI), trouxe o engajamento da entidade nos palcos de debate do clima ao longo dos anos com o objetivo de promover uma transição mais justa por meio do setor privado.

Como porta-voz da confederação que representa 930 mil indústrias de todos os ramos, Rizzato destacou ações que potencializam a agenda climática positiva sustentada em impactos econômicos e sociais, além de colaborativa em vista a reforçar soluções e defender clareza nos mecanismos financeiros.

“O setor privado surge na cena para avançar discussões e catalisar ações. A partir das COP, os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento triplicaram e já se conhece 73 instrumentos de precificação de carbono em operação”, observou Rizzato. “A COP 30 deverá marcar ponto de inversão da discussão para a implementação de soluções.”

Inteligência Artificial e Internet das Coisas – O raciocínio inovador que ressaltou o representante da CNI é a base para inciativa da AEA por meio do Desafio de IA e IoT. Anderson Borille, do Conselho Diretor da AEA, aproveitou o evento para apresentar o projeto que provoca jovens matriculados na rede pública dos ensinos médio e fundamental do País para conceberem soluções baseadas na Inteligência Artificial e Internet das Coisas. Em sua sexta edição, a ação já impactou mais de 500 estudantes.

“Não se trata de um mero desafio. É um projeto social, afinal, são jovens que irão liderar a próxima transição industrial. Também não é só o aprendizado do uso de IA e IoT, mas exige a visão de negócio.”

O futuro, aliás, é preocupação atual do papel que a indústria automotiva desempenhará. Carlos Sakuramoto, diretor de Manufatura e Materiais da AEA, contribui com a discussão na palestra Verticalização da Cadeia de Suprimentos.

Sua apresentação visitou o passado com as revoluções industriais, as transformações nos modelos de negócio e processos produtivos para trazer reflexões a respeito de eficiência, competitividade e vocações regionais.

“A depender do período, decisões entre fazer e comprar esteve e estarão em jogo. Mas para ser competitivo não posso comprar o que sei fazer melhor. Cabe ainda aproveitar vantagens regionais. O Brasil, por exemplo, é rico em recursos naturais e energia limpa. Estamos nos beneficiando disso? Vamos conseguir transferir o que se precisa para ser competitivo?”, questionou Sakuramoto.

Competências para produzir melhor e garantir competitividade foi exemplo trazido por Rodrigo Marino, gerente sênior de Negócios e Operações Automotivas da Flex, fabricante de componentes eletrônicos. Sob o tema Compartilhamento de Operações Fabris, o executivo apresentou radiografia da empresa e como tem aproveitado tecnologias para se destacar como fornecedora da indústria, em especial IA e IoT.

“A pandemia acelerou a automação. Hoje, antes mesmo da linha física, podemos simular a produção, ajustar processos e definir módulos. Assim, projetamos ganhos de produtividade e qualidade, em exemplos até sem o toque humano”, resumiu Marino.

A evolução, no entanto, também é a base de desafios da indústria, como a descarbonização no setor. Leonardo Amaral, gerente de Compliance Regulatório da Stellantis, ampliou a discussão com um olhar além da fronteira das montadoras na palestra Clusterização e parque de fornecedores.

O executivo contextualizou o cenário em meio às exigências de mais eficiência energética, mais segurança, complexidade logística e necessidade de priorizar e a economia circular. Uma conjuntura na qual a conta da descarbonização não fecha.

“Trata-se do planeta. O carvão, por exemplo, continua sendo produzido para gerar energia. Sem nenhuma política que garanta redução do aquecimento global, o aumento será de 4 graus na crosta da terra. A meta, do acordo de Paris, é não passar de 1,5 grau.”

Amaral lembrou que o setor de transporte não é maior emissor, mas encaminha regulamentações para minimizar as emissões, com o Brasil como pioneiro a encabeçar política de redução de carbono do “Berço ao Túmulo”, além da vantagem do etanol.

“Não se trata apenas do que sai do escapamento, mas também de calcular a pegada de carbono em toda a cadeia, da extração da matéria-prima ao descarte. Temos uma necessidade global de introduzir um padrão de cálculo para todos falarem a mesma língua. Um produto produzido com menos carbono já começa a se apresentar como mais competitivo.”

Na parte da tarde, tributação em debate – Descarbonizar o setor também passa por um novo modelo de atuação, tema explorado em mesa redonda intitulada Reconfiguração da Cadeia de Fornecimento Global e Efeito da Tributação na Descarbonização com participação de Juan Padial, da KPMG, Ailson Marques, da Astemo, Rafael Ceconello, da Toyota, e Luís Carlos Di Serio, da FGV

O debate foi mediado pelo professor Marcelo Massarani, que dividiu o encontro em subtemas com foco nas ações prioritárias na cadeia de fornecimento para alinhar custos, suprimento e descarbonização. Juan Padial falou sobre cadeia global e os desafios brasileiros, abordando, entre outros assuntos, o tarifaço dos Estados Unidos.

“Como tudo, tem sempre os dois lados da moeda. Riscos e oportunidades”, disse. Dentre os desafios, destacou a dependência externa de alguns componentes, como os semicondutores, e os gargalos logísticos, que encarecem os produtos. Nesse último caso, contudo, sugeriu uma saída: a compra de matérias-primas, como o aço, por exemplo, em países mais próximos, como a Argentina.

“Não é preciso recorrer aos Estados Unidos ou Europa”, observou, lembrando que a abertura de novas rotas marítimas, no momento, gera novas oportunidades de compras regionais.

Ailson Marques, da Astemo, comentou sobre a importância da redução de desperdícios e foco na Indústria 4.0 na busca por maior competitividade. Também falou sobre a necessidade de os incentivos fiscais e tributários serem estendidos para fornecedores, principalmente os pequenos, defendendo maior integração de toda a cadeia, incluindo o mundo acadêmico.

Em prol de maior eficiência operacional, Ceconello, da Toyota, propôs que os novos acordos comerciais sejam menos amplos, ou seja, tenham foco bilateral. Na sua avaliação, o melhor agora seria fortalecer a relação com a Argentina, que é saudável e envolve linhas complementares de produtos das montadoras, garantindo escala. Na contrapartida, haveria tributação para quem não produz na região.

Outro ponto importante, na avaliação de Rafael, seria a concessão de incentivos, a partir da oferta de linhas de crédito especiais, para os investimentos em tecnologias brasileiras de descarbonização: “Isso poderia atrair planos das matrizes e favorecer a cadeia brasileira como um todo”.

Por fim, falou o professor Luís Carlos, que disse não andar muito otimista. Com algum saudosismo, comentou ter trabalhado em várias empresas que não existem mais, como a Villares, e citou estudos feitos nos Estados Unidos sobre competitividade.

Para ser competitivo, disse ele, é preciso inovar e exportar. Se não inovar, não exporta. “Antigamente, ‘made in Japão era lixo’. Nos anos 80, os japoneses bateram os Estados Unidos”, lembrou.

O professor também disse que o Brasil não valoriza o que tem. “Temos recursos, temos vento, e só começamos a trabalhar com eólica há pouco tempo”, comentou Luís Carlos, chamando atenção sobre a importância da cana de açúcar e o consequente papel do carro híbrido-flex, que tem tudo para ter grande espaço no País, enquanto a demanda pelo elétrico será limitada.

Destaque Novos Engenheiros – O AEA também aproveitou o X Seminário de Manufatura para reconhecer quatro estudantes por meio da premiação Destaque Novos Engenheiros. São eles:

Caio Henrique dos Reis, da Universidade Federal de São Carlos
Gustavo Fernando Piotto, do Instituto Mauá de Tecnologia.
Laura Lozada dos Santos Araujo, da Universidade Federal de Santa Catarina
Rodrigo Rampaso de Morais, da FEI

Divulgação
Textofinal de Comunicação Integrada
Tel.: (011) 99940.7906 – textofinal@textofinal.com
Koichiro Matsuo – k.matsuo@textofinal.com
Juliana Sih – juliana@textofinal.com

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR DESTES ARTIGOS:

COMENTÁRIOS:

Nenhum comentário foi feito, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *