{"id":5526,"date":"2026-05-15T09:41:07","date_gmt":"2026-05-15T12:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/?p=5526"},"modified":"2026-05-15T09:41:07","modified_gmt":"2026-05-15T12:41:07","slug":"seguranca-veicular-entra-na-era-do-software-e-da-conectividade-aponta-seminario-da-aea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/destaques\/seguranca-veicular-entra-na-era-do-software-e-da-conectividade-aponta-seminario-da-aea","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a veicular entra na era do software e da conectividade, aponta semin\u00e1rio da AEA"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; Evento realizado em S\u00e3o Paulo (SP), ontem, 12 de maio, reuniu especialistas para debater como software, conectividade e novas pol\u00edticas p\u00fablicas est\u00e3o redefinindo a seguran\u00e7a automotiva.<\/p>\n<p>15\/05\/2026 &#8211; Em um cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00e3o acelerada da mobilidade, o Semin\u00e1rio de Seguran\u00e7a e Conectividade 2026, promovido pela AEA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Automotiva, reuniu especialistas da ind\u00fastria e da academia para discutir como a digitaliza\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos, o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial e a evolu\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria est\u00e3o redefinindo o conceito de seguran\u00e7a veicular. Sob o tema \u201cSeguran\u00e7a conectada: inova\u00e7\u00e3o e responsabilidade na estrada do futuro\u201d, o evento destacou a transi\u00e7\u00e3o de uma seguran\u00e7a baseada em hardware para uma abordagem integrada, centrada em software, dados e conectividade.<\/p>\n<p>Na abertura, o presidente da AEA, Marcus Vinicius Aguiar, destacou que, embora os programas industriais do setor automotivo tenham historicamente priorizado efici\u00eancia energ\u00e9tica e emiss\u00f5es, seguran\u00e7a e conectividade assumem papel igualmente estrat\u00e9gico por seu impacto direto na preserva\u00e7\u00e3o da vida. O executivo chamou aten\u00e7\u00e3o para o cen\u00e1rio brasileiro, que registrou mais de 6 mil mortes e 84 mil feridos , segundo dados da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, em acidentes nas rodovias federais em 2024, refor\u00e7ando a urg\u00eancia do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico com foco na redu\u00e7\u00e3o de acidentes.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio foi estruturada para apresentar os principais avan\u00e7os em seguran\u00e7a veicular e conectividade, reunindo especialistas para discutir desde a arquitetura dos ve\u00edculos at\u00e9 os desafios regulat\u00f3rios e tecnol\u00f3gicos associados \u00e0 nova mobilidade.<\/p>\n<p>Abrindo a sequ\u00eancia de palestras, Lucas Antunes, da IAV do Brasil, apresentou o conceito de ve\u00edculos definidos por software (Software Defined Vehicle \u2013 SDV) e seus impactos na ind\u00fastria automotiva. Segundo ele, a transforma\u00e7\u00e3o ocorre na arquitetura dos ve\u00edculos, que passam a concentrar fun\u00e7\u00f5es em computadores de alta performance (HPCs), substituindo estruturas fragmentadas baseadas em m\u00faltiplas unidades de controle eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Essa nova configura\u00e7\u00e3o permite atualiza\u00e7\u00f5es remotas (OTA) e amplia a integra\u00e7\u00e3o entre sistemas, viabilizando aplica\u00e7\u00f5es como comunica\u00e7\u00e3o com o ambiente (V2X) e novas fun\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. Ao mesmo tempo, Antunes destacou desafios importantes, como a necessidade de novas compet\u00eancias profissionais, a adapta\u00e7\u00e3o dos modelos de neg\u00f3cio e o fortalecimento da ciberseguran\u00e7a para garantir a integridade dos dados e a confian\u00e7a do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Gilberto Martins, diretor de Assuntos Regulat\u00f3rios da Anfavea, trouxe a perspectiva de regula\u00e7\u00e3o, destacando o papel do programa Mover como indutor da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no Brasil. O executivo explicou que o novo ciclo, em vigor desde 2024, amplia o escopo das pol\u00edticas anteriores ao integrar metas de efici\u00eancia energ\u00e9tica, descarboniza\u00e7\u00e3o, com o acr\u00e9scimo da seguran\u00e7a veicular, com foco crescente em conectividade e automa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os principais avan\u00e7os est\u00e3o a introdu\u00e7\u00e3o de sistemas de seguran\u00e7a ativa mais avan\u00e7ados, como a frenagem aut\u00f4noma de emerg\u00eancia, al\u00e9m de novas exig\u00eancias relacionadas \u00e0 reciclabilidade, rastreabilidade de componentes e etiquetagem veicular. O programa tamb\u00e9m incorpora o conceito \u201cpo\u00e7o \u00e0 roda\u201d na avalia\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e representa um dos maiores ciclos de investimento da ind\u00fastria no pa\u00eds, com mais de R$ 140 bilh\u00f5es previstos.<\/p>\n<p>Leimar Mafort, da Bosch, abordou o papel da intelig\u00eancia artificial na evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas de assist\u00eancia \u00e0 condu\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o veicular. Ele apresentou os diferentes n\u00edveis de automa\u00e7\u00e3o e destacou que grande parte das tecnologias atuais ainda se encontra no n\u00edvel 2, com assist\u00eancia ao motorista, embora avan\u00e7os para n\u00edveis mais elevados j\u00e1 estejam em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Segundo o executivo, a intelig\u00eancia artificial j\u00e1 \u00e9 amplamente utilizada na interpreta\u00e7\u00e3o de dados de sensores e reconhecimento do ambiente, mas o avan\u00e7o recente est\u00e1 na ado\u00e7\u00e3o de modelos mais complexos, capazes de operar de ponta a ponta, ampliando a capacidade de tomada de decis\u00e3o dos ve\u00edculos, com ganhos potenciais em seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m novos desafios de valida\u00e7\u00e3o e confiabilidade.<\/p>\n<p>Dando continuidade \u00e0 programa\u00e7\u00e3o, Marcelo Azevedo, da Universidade Federal de Minas Gerais \u2013 UFMG, aprofundou a discuss\u00e3o sobre o uso de dados no setor automotivo ao apresentar aplica\u00e7\u00f5es de aprendizado federado. A abordagem permite o desenvolvimento de modelos de intelig\u00eancia artificial sem a necessidade de centralizar dados sens\u00edveis, mantendo as informa\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3prios ve\u00edculos e compartilhando apenas os aprendizados gerados.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a tecnologia surge como alternativa para viabilizar o uso de dados em larga escala em conformidade com a LGPD, especialmente em um contexto de ve\u00edculos cada vez mais conectados e geradores de grandes volumes de informa\u00e7\u00e3o. A iniciativa integra a linha de conectividade veicular do programa Mover, que j\u00e1 conta com dezenas de projetos voltados ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico no setor.<\/p>\n<p>Inaugurando a programa\u00e7\u00e3o da tarde, Juan Arias, da General Motors, destacou que a conectividade deixou de ser um diferencial para se tornar a base da transforma\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automotiva. Segundo ele, ve\u00edculos conectados concentram volumes massivos de dados e software, podendo ultrapassar centenas de milh\u00f5es de linhas de c\u00f3digo, e passam a operar como plataformas digitais sobre rodas.<\/p>\n<p>O executivo ressaltou que a conectividade \u00e9 o elemento estruturante de tend\u00eancias como eletrifica\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma e mobilidade compartilhada, al\u00e9m de viabilizar novos modelos de neg\u00f3cio baseados em servi\u00e7os, assinaturas e monetiza\u00e7\u00e3o de dados. Tamb\u00e9m destacou o potencial da conectividade para ampliar a seguran\u00e7a, seja por meio de comunica\u00e7\u00e3o entre ve\u00edculos (V2V), integra\u00e7\u00e3o com infraestrutura urbana ou uso de dados para preven\u00e7\u00e3o de acidentes.<\/p>\n<p>Ao complementar essa vis\u00e3o, Leandro Man\u00eara, da Unicamp, apresentou aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de conectividade veicular em ambientes reais de teste. O projeto \u201cRota Conectada\u201d, ao qual est\u00e1 envolvido, cria um ecossistema experimental que integra ve\u00edculos, infraestrutura urbana e redes de comunica\u00e7\u00e3o para validar tecnologias como V2X e 5G aplicadas \u00e0 seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre os casos apresentados est\u00e3o sistemas de preven\u00e7\u00e3o de colis\u00f5es em cruzamentos e aplica\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o entre ve\u00edculos para manuten\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia e velocidade, evidenciando o potencial da conectividade para reduzir acidentes, especialmente aqueles relacionados a falhas humanas, que representam a maioria dos casos.<\/p>\n<p>O ciclo de apresenta\u00e7\u00f5es foi encerrado com a palestra de Luciana Zaina, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos &#8211; UFSCar, quem trouxe a perspectiva do fator humano na seguran\u00e7a veicular, destacando a import\u00e2ncia da experi\u00eancia do usu\u00e1rio (UX) e da intera\u00e7\u00e3o humano-m\u00e1quina (HMI) no contexto de ve\u00edculos cada vez mais tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A pesquisadora destacou que o aumento da complexidade dos sistemas exige aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o transmitidas ao motorista, evitando sobrecarga cognitiva e garantindo que alertas e interfaces contribuam efetivamente para a tomada de decis\u00e3o. Estudos apresentados indicam que abordagens multissensoriais, como alertas h\u00e1pticos \u2013 que utilizam sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica (toque\/vibra\u00e7\u00e3o), podem ser mais eficazes do que sinais visuais em determinadas situa\u00e7\u00f5es de risco.<\/p>\n<p>Encerrando sua apresenta\u00e7\u00e3o, Luciana Zaina destacou que o avan\u00e7o das tecnologias de seguran\u00e7a e conectividade exige uma evolu\u00e7\u00e3o equivalente na forma como essas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o concebidas e aplicadas no uso real. Segundo ela, dois fatores tendem a ganhar protagonismo nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 o contexto de uso. Compreender em que condi\u00e7\u00f5es o motorista est\u00e1 inserido \u2014 tipo de via, ambiente urbano, n\u00edvel de tr\u00e1fego ou situa\u00e7\u00e3o de risco \u2014 ser\u00e1 essencial para adaptar o funcionamento dos sistemas e a forma como as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o transmitidas ao usu\u00e1rio. Essa personaliza\u00e7\u00e3o, embora ainda desafiadora do ponto de vista t\u00e9cnico, \u00e9 um passo importante na dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos mais integrados ao conceito de cidades inteligentes.<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 o n\u00edvel de automa\u00e7\u00e3o veicular. Zaina destacou que, \u00e0 medida que os sistemas evoluem de fun\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia para n\u00edveis mais elevados de automa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma mudan\u00e7a no foco da experi\u00eancia do usu\u00e1rio. Se, nos n\u00edveis mais baixos, a intera\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 tomada de decis\u00e3o na condu\u00e7\u00e3o, nos n\u00edveis mais avan\u00e7ados o foco passa a incluir a experi\u00eancia dentro do ve\u00edculo, incorporando novos elementos de intera\u00e7\u00e3o, como sistemas de entretenimento e servi\u00e7os conectados.<\/p>\n<p>Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nTextofinal de Comunica\u00e7\u00e3o Integrada<br \/>\nTel.: (11) 99940.7906<br \/>\ntextofinal@textofinal.com<br \/>\nKoichiro Matsuo \u2013 k.matsuo@textofinal.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Evento realizado em S\u00e3o Paulo (SP), ontem, 12 de maio, reuniu especialistas para debater como software, conectividade e novas pol\u00edticas p\u00fablicas est\u00e3o redefinindo a seguran\u00e7a automotiva. 15\/05\/2026 &#8211; Em um cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00e3o acelerada da mobilidade, o Semin\u00e1rio de Seguran\u00e7a e Conectividade 2026, promovido pela AEA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Automotiva, reuniu especialistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5527,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-5526","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5526"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5528,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5526\/revisions\/5528"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}