{"id":5006,"date":"2025-09-30T08:33:17","date_gmt":"2025-09-30T11:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/?p=5006"},"modified":"2025-09-30T11:20:56","modified_gmt":"2025-09-30T14:20:56","slug":"transformacao-da-industria-exige-alinhamento-entre-custos-suprimentos-e-descarbonizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/destaques\/transformacao-da-industria-exige-alinhamento-entre-custos-suprimentos-e-descarbonizacao","title":{"rendered":"COP30 entra na pauta do Semin\u00e1rio de Manufatura da AEA"},"content":{"rendered":"<p>X Semin\u00e1rio de Manufatura da AEA revisa o passado, contextualiza o presente para projetar o futuro<\/p>\n<p>30\/09\/2025 \u2013 A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) reuniu na quinta-feira, 25, estudantes, engenheiros e profissionais do setor automotivo no X Semin\u00e1rio de Manufatura sob o tema COP 30 e o Papel da Manufatura no Novo Cen\u00e1rio Automotivo Brasileiro.<\/p>\n<p>Fernando Villela, um dos coordenadores do evento, iniciou os trabalhos do dia com a introdu\u00e7\u00e3o da pauta, na qual os desafios da descarboniza\u00e7\u00e3o e os novos arranjos produtivos seriam fios condutores de apresenta\u00e7\u00f5es e debates para deixar uma provoca\u00e7\u00e3o ao questionar modelos de produ\u00e7\u00e3o: \u201cVale a pena produzir no Brasil? E de que maneira?\u201d<\/p>\n<p>Com semin\u00e1rio aberto, Alessandro Rizzato, gerente de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), trouxe o engajamento da entidade nos palcos de debate do clima ao longo dos anos com o objetivo de promover uma transi\u00e7\u00e3o mais justa por meio do setor privado.<\/p>\n<p>Como porta-voz da confedera\u00e7\u00e3o que representa 930 mil ind\u00fastrias de todos os ramos, Rizzato destacou a\u00e7\u00f5es que potencializam a agenda clim\u00e1tica positiva sustentada em impactos econ\u00f4micos e sociais, al\u00e9m de colaborativa em vista a refor\u00e7ar solu\u00e7\u00f5es e defender clareza nos mecanismos financeiros.<\/p>\n<p>\u201cO setor privado surge na cena para avan\u00e7ar discuss\u00f5es e catalisar a\u00e7\u00f5es. A partir das COP, os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento triplicaram e j\u00e1 se conhece 73 instrumentos de precifica\u00e7\u00e3o de carbono em opera\u00e7\u00e3o\u201d, observou Rizzato. \u201cA COP 30 dever\u00e1 marcar ponto de invers\u00e3o da discuss\u00e3o para a implementa\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Intelig\u00eancia Artificial e Internet das Coisas \u2013 O racioc\u00ednio inovador que ressaltou o representante da CNI \u00e9 a base para inciativa da AEA por meio do Desafio de IA e IoT. Anderson Borille, do Conselho Diretor da AEA, aproveitou o evento para apresentar o projeto que provoca jovens matriculados na rede p\u00fablica dos ensinos m\u00e9dio e fundamental do Pa\u00eds para conceberem solu\u00e7\u00f5es baseadas na Intelig\u00eancia Artificial e Internet das Coisas. Em sua sexta edi\u00e7\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o j\u00e1 impactou mais de 500 estudantes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de um mero desafio. \u00c9 um projeto social, afinal, s\u00e3o jovens que ir\u00e3o liderar a pr\u00f3xima transi\u00e7\u00e3o industrial. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o aprendizado do uso de IA e IoT, mas exige a vis\u00e3o de neg\u00f3cio.\u201d<\/p>\n<p>O futuro, ali\u00e1s, \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o atual do papel que a ind\u00fastria automotiva desempenhar\u00e1. Carlos Sakuramoto, diretor de Manufatura e Materiais da AEA, contribui com a discuss\u00e3o na palestra Verticaliza\u00e7\u00e3o da Cadeia de Suprimentos.<\/p>\n<p>Sua apresenta\u00e7\u00e3o visitou o passado com as revolu\u00e7\u00f5es industriais, as transforma\u00e7\u00f5es nos modelos de neg\u00f3cio e processos produtivos para trazer reflex\u00f5es a respeito de efici\u00eancia, competitividade e voca\u00e7\u00f5es regionais.<\/p>\n<p>\u201cA depender do per\u00edodo, decis\u00f5es entre fazer e comprar esteve e estar\u00e3o em jogo. Mas para ser competitivo n\u00e3o posso comprar o que sei fazer melhor. Cabe ainda aproveitar vantagens regionais. O Brasil, por exemplo, \u00e9 rico em recursos naturais e energia limpa. Estamos nos beneficiando disso? Vamos conseguir transferir o que se precisa para ser competitivo?\u201d, questionou Sakuramoto.<\/p>\n<p>Compet\u00eancias para produzir melhor e garantir competitividade foi exemplo trazido por Rodrigo Marino, gerente s\u00eanior de Neg\u00f3cios e Opera\u00e7\u00f5es Automotivas da Flex, fabricante de componentes eletr\u00f4nicos. Sob o tema Compartilhamento de Opera\u00e7\u00f5es Fabris, o executivo apresentou radiografia da empresa e como tem aproveitado tecnologias para se destacar como fornecedora da ind\u00fastria, em especial IA e IoT.<\/p>\n<p>\u201cA pandemia acelerou a automa\u00e7\u00e3o. Hoje, antes mesmo da linha f\u00edsica, podemos simular a produ\u00e7\u00e3o, ajustar processos e definir m\u00f3dulos. Assim, projetamos ganhos de produtividade e qualidade, em exemplos at\u00e9 sem o toque humano\u201d, resumiu Marino.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o, no entanto, tamb\u00e9m \u00e9 a base de desafios da ind\u00fastria, como a descarboniza\u00e7\u00e3o no setor. Leonardo Amaral, gerente de Compliance Regulat\u00f3rio da Stellantis, ampliou a discuss\u00e3o com um olhar al\u00e9m da fronteira das montadoras na palestra Clusteriza\u00e7\u00e3o e parque de fornecedores.<\/p>\n<p>O executivo contextualizou o cen\u00e1rio em meio \u00e0s exig\u00eancias de mais efici\u00eancia energ\u00e9tica, mais seguran\u00e7a, complexidade log\u00edstica e necessidade de priorizar e a economia circular. Uma conjuntura na qual a conta da descarboniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o fecha.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se do planeta. O carv\u00e3o, por exemplo, continua sendo produzido para gerar energia. Sem nenhuma pol\u00edtica que garanta redu\u00e7\u00e3o do aquecimento global, o aumento ser\u00e1 de 4 graus na crosta da terra. A meta, do acordo de Paris, \u00e9 n\u00e3o passar de 1,5 grau.\u201d<\/p>\n<p>Amaral lembrou que o setor de transporte n\u00e3o \u00e9 maior emissor, mas encaminha regulamenta\u00e7\u00f5es para minimizar as emiss\u00f5es, com o Brasil como pioneiro a encabe\u00e7ar pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de carbono do \u201cBer\u00e7o ao T\u00famulo\u201d, al\u00e9m da vantagem do etanol.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata apenas do que sai do escapamento, mas tamb\u00e9m de calcular a pegada de carbono em toda a cadeia, da extra\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima ao descarte. Temos uma necessidade global de introduzir um padr\u00e3o de c\u00e1lculo para todos falarem a mesma l\u00edngua. Um produto produzido com menos carbono j\u00e1 come\u00e7a a se apresentar como mais competitivo.\u201d<\/p>\n<p>Na parte da tarde, tributa\u00e7\u00e3o em debate \u2013 Descarbonizar o setor tamb\u00e9m passa por um novo modelo de atua\u00e7\u00e3o, tema explorado em mesa redonda intitulada Reconfigura\u00e7\u00e3o da Cadeia de Fornecimento Global e Efeito da Tributa\u00e7\u00e3o na Descarboniza\u00e7\u00e3o com participa\u00e7\u00e3o de Juan Padial, da KPMG, Ailson Marques, da Astemo, Rafael Ceconello, da Toyota, e Lu\u00eds Carlos Di Serio, da FGV<\/p>\n<p>O debate foi mediado pelo professor Marcelo Massarani, que dividiu o encontro em subtemas com foco nas a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias na cadeia de fornecimento para alinhar custos, suprimento e descarboniza\u00e7\u00e3o. Juan Padial falou sobre cadeia global e os desafios brasileiros, abordando, entre outros assuntos, o tarifa\u00e7o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cComo tudo, tem sempre os dois lados da moeda. Riscos e oportunidades\u201d, disse. Dentre os desafios, destacou a depend\u00eancia externa de alguns componentes, como os semicondutores, e os gargalos log\u00edsticos, que encarecem os produtos. Nesse \u00faltimo caso, contudo, sugeriu uma sa\u00edda: a compra de mat\u00e9rias-primas, como o a\u00e7o, por exemplo, em pa\u00edses mais pr\u00f3ximos, como a Argentina.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 preciso recorrer aos Estados Unidos ou Europa\u201d, observou, lembrando que a abertura de novas rotas mar\u00edtimas, no momento, gera novas oportunidades de compras regionais.<\/p>\n<p>Ailson Marques, da Astemo, comentou sobre a import\u00e2ncia da redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios e foco na Ind\u00fastria 4.0 na busca por maior competitividade. Tamb\u00e9m falou sobre a necessidade de os incentivos fiscais e tribut\u00e1rios serem estendidos para fornecedores, principalmente os pequenos, defendendo maior integra\u00e7\u00e3o de toda a cadeia, incluindo o mundo acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Em prol de maior efici\u00eancia operacional, Ceconello, da Toyota, prop\u00f4s que os novos acordos comerciais sejam menos amplos, ou seja, tenham foco bilateral. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, o melhor agora seria fortalecer a rela\u00e7\u00e3o com a Argentina, que \u00e9 saud\u00e1vel e envolve linhas complementares de produtos das montadoras, garantindo escala. Na contrapartida, haveria tributa\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o produz na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto importante, na avalia\u00e7\u00e3o de Rafael, seria a concess\u00e3o de incentivos, a partir da oferta de linhas de cr\u00e9dito especiais, para os investimentos em tecnologias brasileiras de descarboniza\u00e7\u00e3o: \u201cIsso poderia atrair planos das matrizes e favorecer a cadeia brasileira como um todo\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, falou o professor Lu\u00eds Carlos, que disse n\u00e3o andar muito otimista. Com algum saudosismo, comentou ter trabalhado em v\u00e1rias empresas que n\u00e3o existem mais, como a Villares, e citou estudos feitos nos Estados Unidos sobre competitividade.<\/p>\n<p>Para ser competitivo, disse ele, \u00e9 preciso inovar e exportar. Se n\u00e3o inovar, n\u00e3o exporta. \u201cAntigamente, \u2018made in Jap\u00e3o era lixo\u2019. Nos anos 80, os japoneses bateram os Estados Unidos\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>O professor tamb\u00e9m disse que o Brasil n\u00e3o valoriza o que tem. \u201cTemos recursos, temos vento, e s\u00f3 come\u00e7amos a trabalhar com e\u00f3lica h\u00e1 pouco tempo\u201d, comentou Lu\u00eds Carlos, chamando aten\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da cana de a\u00e7\u00facar e o consequente papel do carro h\u00edbrido-flex, que tem tudo para ter grande espa\u00e7o no Pa\u00eds, enquanto a demanda pelo el\u00e9trico ser\u00e1 limitada.<\/p>\n<p>Destaque Novos Engenheiros \u2013 O AEA tamb\u00e9m aproveitou o X Semin\u00e1rio de Manufatura para reconhecer quatro estudantes por meio da premia\u00e7\u00e3o Destaque Novos Engenheiros. S\u00e3o eles:<\/p>\n<p>Caio Henrique dos Reis, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos<br \/>\nGustavo Fernando Piotto, do Instituto Mau\u00e1 de Tecnologia.<br \/>\nLaura Lozada dos Santos Araujo, da Universidade Federal de Santa Catarina<br \/>\nRodrigo Rampaso de Morais, da FEI<\/p>\n<p>Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nTextofinal de Comunica\u00e7\u00e3o Integrada<br \/>\nTel.: (011) 99940.7906 \u2013 textofinal@textofinal.com<br \/>\nKoichiro Matsuo \u2013 k.matsuo@textofinal.com<br \/>\nJuliana Sih \u2013 juliana@textofinal.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>X Semin\u00e1rio de Manufatura da AEA revisa o passado, contextualiza o presente para projetar o futuro 30\/09\/2025 \u2013 A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) reuniu na quinta-feira, 25, estudantes, engenheiros e profissionais do setor automotivo no X Semin\u00e1rio de Manufatura sob o tema COP 30 e o Papel da Manufatura no Novo Cen\u00e1rio Automotivo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5005,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-5006","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5006"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5006\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5015,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5006\/revisions\/5015"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}