{"id":4923,"date":"2025-09-02T07:56:58","date_gmt":"2025-09-02T10:56:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/?p=4923"},"modified":"2025-09-02T08:57:07","modified_gmt":"2025-09-02T11:57:07","slug":"aea-news-edicao-setembro-de-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/destaques\/aea-news-edicao-setembro-de-2025","title":{"rendered":"AEA News \u2013 edi\u00e7\u00e3o setembro de 2025"},"content":{"rendered":"<p><strong>Acesso ao carro sustent\u00e1vel assegura novos entrantes e empregabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Os desafios da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e, por consequ\u00eancia, a necessidade de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica por ve\u00edculos mais limpos mudaram o cen\u00e1rio mercadol\u00f3gico do setor automotivo brasileiro, nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>A partir de 2015, representantes de montadoras chinesas come\u00e7aram a trazer as primeiras unidades de ve\u00edculos leves el\u00e9tricos e eletrificados (MHEV, HEV e PHEV), com a bandeira da descarboniza\u00e7\u00e3o veicular. \u00c9 correto afirmar que os BEVs (100% el\u00e9tricos) e o h\u00edbridos plug-in (mesmo com motor a combust\u00e3o a gasolina) poluem menos que os carros puramente movidos a gasolina.<\/p>\n<p>Por conta dos early adopters e dos pre\u00e7os hipercompetitivos, carros chineses \u2013 com aquelas tecnologias \u2013 foram abra\u00e7ados por consumidores brasileiros. Ve\u00edculos de origem chinesa j\u00e1 chegam a quase 10% do mercado interno nacional.<\/p>\n<p>Pois bem. Demorou, mas chegou. O Governo brasileiro lan\u00e7ou, h\u00e1 dois meses, o programa Carro Sustent\u00e1vel, por meio do qual o IPI \u00e9 zerado, at\u00e9 dezembro de 2026, aos produtos fabricados no Brasil que emitam menos de 83g de CO2 por quil\u00f4metro, contenham mais de 80% de materiais recicl\u00e1veis e que se encaixem nas categorias de carro compacto (subcompacto, compacto, utilit\u00e1rio esportivo compacto ou picape compacta).<\/p>\n<p>\u00c9 sim uma resposta \u00e0 avalanche de carros chineses. Mas por motivos compreens\u00edveis e justos. Com essa medida, os descontos podem chegar a R$ 13 mil nos modelos de entrada e os especialistas arriscam em afirmar que as vendas podem alcan\u00e7ar mais de 100 mil unidades ainda este ano.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da AEA, embora sejamos uma entidade t\u00e9cnica, sempre defendemos a tese de que o polo automobil\u00edstico brasileiro deve levar em considera\u00e7\u00e3o o trip\u00e9 econ\u00f4mico, social e ambiental. Ou seja, o programa Carro Sustent\u00e1vel proporciona \u00e0 ind\u00fastria nacional escalabilidade (produtividade), gera empregos diretos e indiretos, e, finalmente, auxilia o Pa\u00eds na produ\u00e7\u00e3o autom\u00f3veis limpos, capazes de proteger o meio ambiente.<\/p>\n<p>De outra parte, \u00e9 imprescind\u00edvel ter produtos que correspondam \u00e0s expectativas de compra dos brasileiros. Sem os novos consumidores, n\u00e3o teremos uma cadeia automobil\u00edstica forte e sadia. O equil\u00edbrio \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Boa leitura a todos desta 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o do AEA News.<\/p>\n<p>Marcus Vinicius Aguiar<br \/>\nPresidente AEA<\/p>\n<p><strong>SIMEA 2025 debate mobilidade mais limpa, conectada e eficiente<\/strong><\/p>\n<p>A 32\u00aa edi\u00e7\u00e3o do SIMEA \u2013 Simp\u00f3sio Internacional de Engenharia Automotiva, promovido pela AEA, reuniu nos dias 13 e 14 de agosto \u00faltimo, no Novotel Center Norte (SP) especialistas da ind\u00fastria, governo e academia para debater tend\u00eancias, pol\u00edticas p\u00fablicas e tecnologias que v\u00e3o moldar o futuro da mobilidade no Brasil. Durante dois dias, foram abordados temas como descarboniza\u00e7\u00e3o, eletrifica\u00e7\u00e3o, conectividade, intelig\u00eancia artificial e novos combust\u00edveis.<\/p>\n<p>No primeiro dia, Thaianne Resende (MMA) destacou os avan\u00e7os dos programas Proconve e Promot, que reduziram em at\u00e9 99% os poluentes emitidos pelos ve\u00edculos desde a d\u00e9cada de 1980. Fernanda Rezende (CNT) apresentou tr\u00eas frentes para a transi\u00e7\u00e3o: diversifica\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica (biometano, hidrog\u00eanio, diesel verde, el\u00e9tricos), moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura e uso de dados para efici\u00eancia e seguran\u00e7a. Heloisa Loureiro (Insper) defendeu solu\u00e7\u00f5es integradas, compartilhamento e foco no coletivo para cidades mais inteligentes e resilientes.<\/p>\n<p>No per\u00edodo da tarde, Fabio Ferreira (Bosch) apresentou megatend\u00eancias da mobilidade \u2013 eletrifica\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o automatizada e experi\u00eancia digital \u2013 e projetou que o mercado global de eletr\u00f4nica e software automotivos chegar\u00e1 a US$ 462 bilh\u00f5es at\u00e9 2030. Roberto David (Petrobras) mostrou o portf\u00f3lio de combust\u00edveis de baixo carbono da companhia. A mesa redonda Desenhando o Futuro da Mobilidade discutiu efici\u00eancia log\u00edstica, biocombust\u00edveis e impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre o transporte.<\/p>\n<p>O segundo dia come\u00e7ou com Paula Aluani (Google\/Waze), que apresentou solu\u00e7\u00f5es como o Greenlight e o Environment Insight Explorer para reduzir congestionamentos e emiss\u00f5es. Murilo Ortolan (AEA) abordou quatro eixos estrat\u00e9gicos \u2013 descarboniza\u00e7\u00e3o, emiss\u00f5es de ve\u00edculos leves, seguran\u00e7a e IA\/conectividade \u2013 e defendeu rotas plurais para ve\u00edculos pesados.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Rodnei Bernardino (consultor) falou sobre integra\u00e7\u00e3o entre tecnologia, finan\u00e7as e experi\u00eancia do usu\u00e1rio, destacando mobilidade como servi\u00e7o e ve\u00edculos por assinatura. Thiago Samarino (ABGi) apresentou o Programa Mover e incentivos fiscais para inova\u00e7\u00e3o no setor.<\/p>\n<p>O evento foi encerrado com a mesa Das Pistas para as Ruas, que reuniu pilotos e executivos para mostrar como o automobilismo acelera a transfer\u00eancia de tecnologias \u2013 de motores mais eficientes a combust\u00edveis e componentes testados em condi\u00e7\u00f5es extremas \u2013 para ve\u00edculos comerciais e de passeio. <a href=\"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/destaques\/simea-debate-caminhos-da-mobilidade-mais-limpa-conectada-e-eficiente\">[LEIA MAIS].<\/a><\/p>\n<p><strong>Motocicletas: as realidades do Oriente e do Ocidente.<\/strong><\/p>\n<p>Em 2017, tive a oportunidade de visitar a Indochina (Vietn\u00e3, Camboja, Laos) Tail\u00e2ndia e outros pa\u00edses da \u00c1sia. Foram 48 dias de aprendizado em outras culturas. Como motociclista, n\u00e3o pude deixar de observar .o impressionante volume de motocicletas que circulam nas grandes cidades asi\u00e1ticas e a aparente harmonia no tr\u00e2nsito. Mesmo com um n\u00famero muito elevado de ve\u00edculos de duas rodas, a fluidez do tr\u00e1fego, em meio ao que poder\u00edamos considerar um &#8220;caos organizado&#8221;, era not\u00e1vel.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia foi particularmente marcante em Han\u00f3i, no Vietn\u00e3. Com o esp\u00edrito de um bom observador, em Han\u00f3i, aos domingos, eu ficava em um restaurante numa das esquinas da pra\u00e7a principal para tomar smoothie (o melhor que j\u00e1 tomei na vida) e acompanhar atentamente os impressionantes deslocamentos de condutores de duas rodas e, apesar da aus\u00eancia de sinaliza\u00e7\u00f5es claras ou fiscaliza\u00e7\u00e3o ostensiva, n\u00e3o presenciei um \u00fanico acidente e ainda aprendi a atravessar a rua sem ser atropelado.<\/p>\n<p>E as perguntas que me fazia no in\u00edcio da viagem \u2013 Como n\u00e3o causam acidentes? Como \u00e9 poss\u00edvel atravessar a rua entre tantas scooters que continuam andando e sem acidentes? &#8211; persistiam.<\/p>\n<p>Como \u00fanico ve\u00edculo poss\u00edvel, l\u00e1 ia a fam\u00edlia de at\u00e9 cinco seres humanos em uma scooter, obedecendo a faixa et\u00e1ria de seus ocupantes. Na frente, pisando em um suporte de madeira, o menor, e p\u00f5e menor nisto, e assim por diante e claro naquele entrevero de scooters. <a href=\"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/destaques\/motocicletas-as-realidades-do-oriente-e-do-ocidente\">[LEIA MAIS].<\/a><\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio de Inova\u00e7\u00e3o em Powertrain refor\u00e7a solu\u00e7\u00f5es ecl\u00e9ticas de descarboniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Evento online abordou a vantagem do Brasil pela maturidade e oferta em rela\u00e7\u00e3o a biocombust\u00edveis e o privil\u00e9gio de ter uma matriz energ\u00e9tica limpa.<\/p>\n<p>Na 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio de Inova\u00e7\u00e3o em Powertrain, encontro t\u00e9cnico organizado pela AEA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Automotiva, ocorrido no formato online, no dia 26 de junho, representantes da ind\u00fastria e da academia foram un\u00e2nimes na avalia\u00e7\u00e3o de que na busca pela descarboniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o, mas diversas, em especial por conta da abund\u00e2ncia de fontes energ\u00e9ticas renov\u00e1veis no Brasil.<\/p>\n<p>Sob o macrotema \u201cInova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade: a evolu\u00e7\u00e3o do powertrain no Brasil\u201d, a primeira palestra foi conduzida por G\u00e1bor Deak, diretor de Tecnologia e Sustentabilidade do Sindipe\u00e7as, quem fez um detalhado retrospecto sobre a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de petr\u00f3leo, passando por an\u00e1lise acurada dos pa\u00edses que mais produzem e consomem o combust\u00edvel f\u00f3ssil e ainda sobre o privil\u00e9gio de o Brasil contar com 89% de sua matriz energ\u00e9tica renov\u00e1vel, quando \u2013 na outra ponta \u2013 a Ar\u00e1bia Saudita responde por apenas 1%.<\/p>\n<p>\u201cA posi\u00e7\u00e3o do Sindipe\u00e7as \u00e9 agn\u00f3stica, mas est\u00e1 muito evidente que o Brasil precisa decidir-se pelos biocombust\u00edveis, at\u00e9 porque segundo nossas proje\u00e7\u00f5es para 2040, a frota circulante nacional ser\u00e1 ainda de 88% de ve\u00edculos com motores a combust\u00e3o interna\u201d, argumentou Deak.<\/p>\n<p>\u201cDesafios do desenvolvimento de \u00f4nibus el\u00e9tricos\u201d foi o tema da apresenta\u00e7\u00e3o de Nat\u00e1lia Costa, gerente de Desenvolvimento de Produto da Daimler Truck, para quem, depois de lembrar que em Santiago, no Chile, 35% dos \u00f4nibus urbanos s\u00e3o el\u00e9tricos, e em Bogot\u00e1, 15%, \u201c300 novos \u00f4nibus el\u00e9tricos entraram em circula\u00e7\u00e3o em 2024 e, de janeiro a maio deste ano, 250 unidades, ou seja, teremos um crescimento bastante expressivo\u201d.<\/p>\n<p>Por conta dessa celeridade de mercado, Nat\u00e1lia Costa enfatizou que esse segmento necessita de padroniza\u00e7\u00e3o, engenharia de dados e de escalabilidade para suportar o desenvolvimento de powertrain espec\u00edfico para o Brasil quanto ao relevo das cidades, n\u00famero de paradas nos diferentes percursos, temperatura ambiente e tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por conta de o Brasil ser um pa\u00eds privilegiado por sua matrizes energ\u00e9ticas limpas, Marcio Melhoran\u00e7a, diretor de R&amp;D da Horse Latam, discorreu sobre a import\u00e2ncia da nacionaliza\u00e7\u00e3o de motores a combust\u00e3o eficientes. Fez ampla explana\u00e7\u00e3o sobre os motores GDI Turbo HR10 e HR13, e avan\u00e7ou sobre a tecnologia Range Extender desenvolvida nacionalmente para ve\u00edculos h\u00edbridos, com motor Horse aliado a um gerador\/bateria el\u00e9trica da WEG.<\/p>\n<p>A pen\u00faltima palestra do Semin\u00e1rio AEA de Inova\u00e7\u00e3o em Powertrain foi conduzida por Ana Eliza Braga, gerente de Programas da Fundep I Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa da UFMG. Ela fez uma atualiza\u00e7\u00e3o das linhas IV, V e VI dos Programas Priorit\u00e1rios do Mover. E a \u00faltima ficou a cargo de Cristiano Zia, da Cummins, sobre \u201cMAR II &#8211; Os desafios tecnol\u00f3gicos e solu\u00e7\u00f5es para o mercado brasileiro\u201d, legisla\u00e7\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o entre AEA e Governo que conduzir\u00e1 o setor de m\u00e1quinas e implementos agr\u00edcolas e de constru\u00e7\u00e3o para n\u00edveis mais reduzidos de emiss\u00f5es de poluentes, com mais tecnologias embarcadas e maior efici\u00eancia dos motores.<\/p>\n<p>Ao final do evento, os cinco palestrantes do semin\u00e1rio participaram da sess\u00e3o de debates, mediada por Ricardo Fran\u00e7a, do Innospec.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Conselho Editorial:<\/em><\/p>\n<p><em>Anderson Suzuki, Everton Lopes, Luciana Giles, Marinna Silva e Raquel Mizoe<\/em><\/p>\n<p><em>Jornalista Respons\u00e1vel:<\/em><\/p>\n<p><em>Koichiro Matsuo &#8211; MTb 13 224<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acesso ao carro sustent\u00e1vel assegura novos entrantes e empregabilidade Os desafios da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e, por consequ\u00eancia, a necessidade de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica por ve\u00edculos mais limpos mudaram o cen\u00e1rio mercadol\u00f3gico do setor automotivo brasileiro, nos \u00faltimos dez anos. 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