{"id":3650,"date":"2024-05-21T08:19:23","date_gmt":"2024-05-21T11:19:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brcriacaodesites.com.br\/aea2024\/?p=3650"},"modified":"2024-05-28T08:27:42","modified_gmt":"2024-05-28T11:27:42","slug":"artigo-carro-eletrico-ou-hibrido-nao-e-mais-um-tema-ambiental-virou-mercadologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/sem-categoria\/artigo-carro-eletrico-ou-hibrido-nao-e-mais-um-tema-ambiental-virou-mercadologico","title":{"rendered":"Artigo \u2013 Carro el\u00e9trico ou h\u00edbrido n\u00e3o \u00e9 mais um tema ambiental. Virou mercadol\u00f3gico."},"content":{"rendered":"<p>A locomotiva da eletrifica\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a se deslocar a 2 km por ano h\u00e1 mais de 20 anos, impulsionada por movimentos ambientalistas europeus, agora se move a mais de 100 km\/h.<\/p>\n<p>A base de todo movimento foi criar a demanda por carbono zero, vinculando a emiss\u00e3o de CO2 ao chamado aquecimento global, no qual se debita as grandes mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do planeta e suas consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas. Esse movimento come\u00e7a a entrar em rota de colis\u00e3o econ\u00f4mica na maioria dos mercados que apostaram seus investimentos na mobilidade chamada carbono zero.<\/p>\n<p>A China, que soube muito bem nos anos 1990 aproveitar sua rampa de escala de produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos para o seu atual enorme mercado interno de 27 milh\u00f5es de ve\u00edculos, soube tamb\u00e9m criar um novo mercado tecnol\u00f3gico promovendo a corrida pela solu\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em todas as suas configura\u00e7\u00f5es hibridas e puramente el\u00e9tricas.<br \/>\nCom ajuda dos tradicionais fabricantes europeus e americanos, os chineses desenvolveram as melhores tecnologias de eletrifica\u00e7\u00e3o e propuls\u00e3o, produzindo em alta escala toda a cadeia de fornecimento tecnol\u00f3gico, incluindo as famosas baterias de l\u00edtio que dominam hoje o mercado mundial de baterias para carros el\u00e9tricos.<br \/>\nOs altos investimentos internos da China em modernas e novas f\u00e1bricas, patrocinados pelo governo chin\u00eas, catapultaram a ind\u00fastria chinesa automobil\u00edstica a uma vantagem competitiva e tecnol\u00f3gica que dificilmente o ocidente ter\u00e1 chance de alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Hoje, a China tem o parque fabril mais moderno do mundo em toda a sua cadeia de valor, pois investiu o estado da arte em processos robotizados que vai muito mais al\u00e9m que a famosa Ind\u00fastria 4.0.<\/p>\n<p>Uma capacidade produtiva perto de 30 milh\u00f5es de ve\u00edculos por ano coloca de \u201cjoelhos\u201d qualquer escala americana ou europeia. A m\u00e3o de obra especializada, criada ao longo da hist\u00f3ria e que trabalha 24 por 7 sem leis trabalhistas e benef\u00edcios que n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m da oportunidade de se trabalhar, faz brutal diferen\u00e7a na competitividade dos seus produtos.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos, por sua vez, com 17 milh\u00f5es de capacidade produtiva, tentam injetar investimentos na sua ind\u00fastria e buscam tanto internamente como no \u201cnearshoring\u201d acompanhar essa corrida mercadol\u00f3gica e competitiva, mas ainda esparram nas barreiras internas sindicais e nos passivos de sua ind\u00fastria tradicional que precisa se reinventar para se modernizar.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria americana ganha ainda certo tempo em seu mercado interno porque os chineses com suas marcas n\u00e3o podem, por barreiras geopol\u00edticas, entrar no mercado americano. Por\u00e9m, parece-me que os USA dificilmente v\u00e3o conseguir fazer frente ao monstro tecnol\u00f3gico chin\u00eas e sua escala produtiva, cujo apelo tecnol\u00f3gico da descarboniza\u00e7\u00e3o passa longe do apelo ambiental por n\u00e3o ter fontes de energia limpa e renov\u00e1vel suficientes para compensar o enorme preju\u00edzo ambiental causado principalmente na produ\u00e7\u00e3o de baterias de l\u00edtio.<\/p>\n<p>A Europa, com 15 milh\u00f5es de capacidade produtiva, perde-se atualmente com suas metas ambientais para carbono zero, criando uma disrup\u00e7\u00e3o sem precedentes em sua famosa e tradicional ind\u00fastria automobil\u00edstica que tanto ditou as tend\u00eancias da mobilidade do passado.<\/p>\n<p>J\u00e1 podemos perceber nas discuss\u00f5es pol\u00edticas atuais que a Europa deu um tiro no pr\u00f3prio p\u00e9 com sua estrat\u00e9gia carbono zero, eliminando em curto prazo os motores a combust\u00e3o movidos a combust\u00edveis f\u00f3sseis e substituindo pelos el\u00e9tricos como \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para evitar emiss\u00f5es locais, sem pensar de onde obter energia limpa sustent\u00e1vel e sem dar op\u00e7\u00e3o \u00e0 sobreviv\u00eancia de sua tradicional ind\u00fastria automobil\u00edstica.<\/p>\n<p>Mesmo com a recente diminui\u00e7\u00e3o das vendas de carros el\u00e9tricos que ocorre nos USA e na Europa, dificilmente essa locomotiva tecnol\u00f3gica impulsionada j\u00e1 a mais de 100 km\/hora pela gigante competitividade chinesa ir\u00e1 parar.<\/p>\n<p>Resta ao pequeno mercado brasileiro de pouco mais de 2 milh\u00f5es de unidades se defender com pol\u00edticas que incentivem o mercado interno a consumir ve\u00edculos com propuls\u00e3o usando combust\u00edveis alternativos, apostar na gera\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde, n\u00e3o s\u00f3 pelo apelo da descarboniza\u00e7\u00e3o, mas porque j\u00e1 temos as fontes necess\u00e1rias e investimentos consolidados e que fazem coro com as metas de redu\u00e7\u00e3o de carbono compromissadas pelos acordos ambientais.<\/p>\n<p>Mas, em se tratando de mercado, sem previsibilidade de aumento de escala de produ\u00e7\u00e3o, nossa ind\u00fastria local tem um grande desafio pela frente \u00e0 estrat\u00e9gia de ganho de mercado definida pela ind\u00fastria automobil\u00edstica chinesa que vai al\u00e9m do pre\u00e7o de seus ve\u00edculos ao consumidor classe A e B Brasileiro.<\/p>\n<p>As marcas BYD, GWM, Chery, JAC e outras j\u00e1 s\u00e3o marcas tecnol\u00f3gicas de qualidade consolidadas na mobilidade brasileira e impulsionadas resultado da pol\u00edtica do governo federal de imposto de importa\u00e7\u00e3o zero implantada na primeira fase do programa Rota 2030.<\/p>\n<p>Tudo indica que as tecnologias do ve\u00edculo puramente el\u00e9trico (BEV) e principalmente na vers\u00e3o h\u00edbrida ir\u00e3o crescer rapidamente e dominar a venda de ve\u00edculos de passeio no mercado interno.<\/p>\n<p>Dificilmente os investimentos ainda necess\u00e1rios em infraestrutura e em servi\u00e7os no Brasil, ou mesmo nas novas fabricas chinesas recentes anunciadas, ir\u00e3o compensar a perda da capacidade nacional instalada da ind\u00fastria tradicional local e sua gera\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o poderia ser uma sa\u00edda, mas sabemos j\u00e1 por experi\u00eancias do passado que n\u00e3o temos seguran\u00e7a jur\u00eddica e nem competitividade interna que atraiam hoje investimentos para nos colocar de forma expressiva no mercado global.<\/p>\n<p>Mesmo com a reforma tribut\u00e1ria em curso, e o programa MOVER rec\u00e9m desenhado, n\u00e3o creio que esse cen\u00e1rio v\u00e1 mudar muito. Nosso arcabou\u00e7o fiscal vai continuar e a ind\u00fastria da mobilidade local, que \u00e9 global player, vai usar a regra m\u00e1xima da oferta e da procura trazendo via importa\u00e7\u00e3o para nosso mercado ve\u00edculos globais mais baratos e tecnol\u00f3gicos para nossa restrita demanda.<\/p>\n<p>Fica o desafio de fazer nossa demanda crescer e isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com um crescimento substancial do PIB brasileiro, com uma forte desonera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria local e gera\u00e7\u00e3o de empregos qualificados.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds continental e rico em comodities, como o Brasil, s\u00f3 ir\u00e1 prosperar com uma economia vigorosa e crescente, se tiver uma ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o forte, inovadora e competitiva mundialmente.<\/p>\n<p>(*) Besaliel Botelho \u00e9 ex-presidente da AEA e da Bosch Am\u00e9rica Latina, conselheiro das empresas Bright Consulting, Bosch, Sonda e consultor de empresas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A locomotiva da eletrifica\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a se deslocar a 2 km por ano h\u00e1 mais de 20 anos, impulsionada por movimentos ambientalistas europeus, agora se move a mais de 100 km\/h. 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