{"id":3605,"date":"2024-05-21T07:55:25","date_gmt":"2024-05-21T10:55:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brcriacaodesites.com.br\/aea2024\/?p=3605"},"modified":"2024-05-21T07:55:25","modified_gmt":"2024-05-21T10:55:25","slug":"futuro-da-mobilidade-e-multienergetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aea.org.br\/home\/sem-categoria\/futuro-da-mobilidade-e-multienergetico","title":{"rendered":"Futuro da mobilidade \u00e9 multienerg\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<p>A 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio Efici\u00eancia Energ\u00e9tica, Emiss\u00f5es e Combust\u00edveis, evento organizado pela AEA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Automotiva -, a primeira p\u00f3s-pandemia, aconteceu em 15 de junho, no Millenium Centro de Conven\u00e7\u00f5es, em S\u00e3o Paulo, tendo como tema \u201cMobilidade Sustent\u00e1vel e Acess\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Duzentos e vinte participantes lotaram o audit\u00f3rio para assistir \u00e0s dez palestras do simp\u00f3sio, divididas em tr\u00eas pain\u00e9is, entremeados por tr\u00eas debates protagonizados pelos palestrantes de cada bloco, que tamb\u00e9m responderam perguntas do p\u00fablico. Muito conhecimento foi compartilhado em seis horas de programa\u00e7\u00e3o, e uma ideia predominou na maioria das palestras: o futuro da mobilidade \u00e9 multienerg\u00e9tico, e os problemas ser\u00e3o resolvidos por uma combina\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Raquel Mizoe, diretora de Emiss\u00f5es e Consumo Ve\u00edculos Leves da AEA, abriu os trabalhos agradecendo aos presentes e, a seguir, apresentou o primeiro painel, com o tema \u201cA sustentabilidade com acessibilidade\u201d. \u00a0Paulo Cardamone, consultor da Bright Consulting, iniciou a s\u00e9rie de palestras discorrendo sobre \u201cO ve\u00edculo sustent\u00e1vel e acess\u00edvel\u201d. Mostrou a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automotiva, que hoje trabalha com metade de sua capacidade produtiva, e apontou o fato como uma das causas dos pre\u00e7os altos. \u201cHoje o ticket m\u00e9dio dobrou de R$ 70 mil para R$ 140 mil. A ind\u00fastria \u00e9 preparada e sabe fazer autom\u00f3vel. Se elevar a produ\u00e7\u00e3o a 75% de sua capacidade, tem espa\u00e7o para trabalhar os pre\u00e7os. Hoje o problema do setor \u00e9 se manter de p\u00e9\u201d, afirmou. Cardamone alertou para a mudan\u00e7a do perfil do consumidor, que hoje \u00e9 conectado e exige o m\u00e1ximo de conte\u00fado no carro.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Rafael Mosquim, da UNICAMP, abordou o tema \u201cTend\u00eancias em tecnologia, efici\u00eancia e performance na frota de ve\u00edculos leves do Brasil\u201d, em vers\u00e3o condensada de tese de doutorado que defendeu naquela universidade. Come\u00e7ou destacando a urg\u00eancia em se iniciar o processo de descarboniza\u00e7\u00e3o \u2013 quanto mais postegar, maior ser\u00e1 o desafio. E a necessidade em definir qual o papel que cada tecnologia ter\u00e1 dentro da descarboniza\u00e7\u00e3o. Porque n\u00e3o ser\u00e1 uma tecnologia, ser\u00e3o v\u00e1rias e complementares. Rafael explicou que \u00e9 poss\u00edvel ter tecnologia embarcada que n\u00e3o necessariamente se traduza em ganho de efici\u00eancia. \u201cIsso porque a performance do ve\u00edculo pode requerer mais energia. A tend\u00eancia atual de ve\u00edculos maiores e mais potentes tem um custo energ\u00e9tico que \u00e9 preciso ser levado em conta e pode influenciar bastante a efici\u00eancia m\u00e9dia da frota\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Finalizando o primeiro painel, Thomas Caldellas, do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, falou sobre a nova etapa do Rota 2030. Informou que as metas s\u00e3o garantir a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos ve\u00edculos e compartilhar a descarboniza\u00e7\u00e3o com produtores e distribuidores de combust\u00edvel. \u201cA principal diferen\u00e7a da primeira fase para a segunda \u00e9 que vamos trabalhar a efici\u00eancia energ\u00e9tica ambiental, al\u00e9m de trabalhar a efici\u00eancia energ\u00e9tica pura e simples do ve\u00edculo\u201d, informou.<\/p>\n<p>Ao final da terceira palestra, o mediador Ricardo Abreu convidou os palestrantes para um debate, com o questionamento sobre se a mobilidade sustent\u00e1vel se enquadra nos crit\u00e9rios de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Usu\u00e1rios de pesados\u00a0\u2013 O segundo painel teve como tema \u201cExperi\u00eancia do usu\u00e1rio com energia sustent\u00e1vel\u201d. Felipe Hack, coordenador da FEMSA, empresa coligada \u00e0 Coca-Cola, abriu a sequ\u00eancia de palestras apresentando o funcionamento do perfil de rotas e os ve\u00edculos el\u00e9tricos que comp\u00f5em sua frota, 35 VW e-Delivery e um BYD T08, na palestra que teve como tema \u201cVe\u00edculo el\u00e9trico de entrega urbana\u201d. \u201cO custo de manuten\u00e7\u00e3o de um caminh\u00e3o el\u00e9trico \u00e9 63% menor do que a de um caminh\u00e3o a combust\u00e3o. Com esse perfil de frota, evitamos a emiss\u00e3o de 445 t\/ano de CO2\u201d, informou.<\/p>\n<p>Cristian Malevic, diretor da unidade de neg\u00f3cios da MWM, e Lu\u00eds Paulo do Val Cervelatti, gerente de manuten\u00e7\u00e3o automotiva da Cocal, apresentaram a palestra seguinte, sobre \u201cExperi\u00eancias com biometano\u201d. Lu\u00eds Paulo iniciou com uma apresenta\u00e7\u00e3o da Cocal, empresa multinacional sediada no interior de S\u00e3o Paulo e com foco na produ\u00e7\u00e3o de cana de a\u00e7\u00facar. \u201cA partir da cana, produzimos etanol, energia, levedura, biog\u00e1s, metano e CO2. Nossa frota \u00e9 composta de 2.500 equipamentos e temos o desafio de reduzir o consumo do diesel trocando pelo biometano. Consumimos 30 milh\u00f5es de litros de diesel\/ano e isso nos incomoda\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Cristian, por sua vez, mostrou o hist\u00f3rico da MWM e falou sobre o processo de retrofit na Cocal. \u201cTemos um grande centro tecnol\u00f3gico no Brasil, onde utilizamos cada vez mais combust\u00edveis com menor pegada de carbono. Usamos biog\u00e1s para gera\u00e7\u00e3o de energia e buscamos demanda no cliente final\u201d, informou.<\/p>\n<p>Gustavo Teixeira, gerente de engenharia de produtos da FPT Industrial, encerrou o ciclo de palestras do segundo painel apresentando o tema \u201cIncremento do biodiesel no Brasil: desafios para os catalisadores em ve\u00edculos Proconve\u201d. Afirmou de in\u00edcio que o biodiesel traz uma s\u00e9rie de benef\u00edcios ambientais, como a redu\u00e7\u00e3o de part\u00edculas, ser biodegrad\u00e1vel, at\u00f3xico e diminuir a depend\u00eancia do combust\u00edvel f\u00f3ssil. Mas se traz vantagens, o biodiesel tamb\u00e9m proporciona desafios que devem ser enfrentados. \u201cQuando observamos misturas acima de 7%, especialmente na Am\u00e9rica do Sul e \u00c1sia, pode acontecer incompatibilidade de materiais, dilui\u00e7\u00e3o do \u00f3leo lubrificante, danos no sistema de inje\u00e7\u00e3o, crescimento bacteriano e envenenamento dos sistemas catal\u00edticos e controle de emiss\u00f5es\u201d, ressaltou. Boas pr\u00e1ticas s\u00e3o mandat\u00f3rias. Por fim, apresentou ensaio simulando 700.000 kms exigidos pelo PROCONVE para o ciclo diesel com v\u00e1rios motores de fam\u00edlias diferentes da linha FPT, usando B20 e o resultado foi que o biodiesel n\u00e3o deve ser obst\u00e1culo para o sistema de p\u00f3s tratamento dos motores P8.<\/p>\n<p>Encerrando o segundo painel, o mediador Vicente Pimenta convidou os palestrantes a subirem ao palco, onde responderam perguntas do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Alternativas ao Diesel\u00a0\u2013 Ap\u00f3s uma breve pausa para o almo\u00e7o, o simp\u00f3sio continuou com o terceiro painel, \u201cSubstitutos para o \u00f3leo Diesel \u2013 Quais as alternativas para ve\u00edculos pesados\u201d. O primeiro palestrante a se apresentar foi Jos\u00e9 Luiz Zotin, consultor master da Petrobras. Falando sobre \u201c\u00d3leo Diesel Renov\u00e1vel\u201d, apresentou uma linha do tempo do biodiesel na empresa, desde o in\u00edcio, em 2004, quando foram feitos os testes pilotos e o registro da patente HBio, at\u00e9 2022, ano em que se realizaram os testes em frotas com o Diesel R e em que o produto entrou no mercado. \u201cO Diesel R, que faz parte do programa de descarboniza\u00e7\u00e3o da Petrobras, \u00e9 uma mistura do diesel mineral com um componente renov\u00e1vel, no caso os hidrocarbonetos produzidos a partir da hidrogena\u00e7\u00e3o de \u00f3leos vegetais e gorduras\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A seguir, Andr\u00e9 Ferrarese, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Tupy, discorreu sobre o tema \u201cCombust\u00edveis para novos motores\u201d. Come\u00e7ou apresentando a empresa, que atua no ramo de fundi\u00e7\u00e3o, e continuou mostrando a evolu\u00e7\u00e3o da demanda de energia no Brasil e no mundo, focando na lenta e gradativa substitui\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis por renov\u00e1veis a partir de 2018. \u201cO futuro \u00e9 multicombust\u00edvel. Na eletrifica\u00e7\u00e3o, um dos grandes desafios \u00e9 a bateria. Quanto maior for, maiores ser\u00e3o as emiss\u00f5es de CO2 na fabrica\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo e o impacto na carga \u00fatil. E n\u00e3o podemos confundir transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, que traz solu\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, com o bio sozinho, que \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o perene\u201d, explanou.<\/p>\n<p>Val\u00e9rio Marochi, pesquisador do Instituto SENAI \u00a0de Inova\u00e7\u00e3o e Eletroqu\u00edmica, na sequ\u00eancia, falou sobre \u201cA eletrifica\u00e7\u00e3o dos transportes pesados\u201d. De in\u00edcio, afirmou que o Brasil deve ser um benchmark de colabora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 um pa\u00eds continental, em que h\u00e1 cidades evolu\u00eddas e outras nem tanto, que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia de ponta que outras j\u00e1 disponibilizam. \u201cDevemos nos apoiar naquele trip\u00e9 j\u00e1 citado: equidade, sustentabilidade financeira e tamb\u00e9m a quest\u00e3o ambiental. Na quest\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para ve\u00edculos pesados, n\u00e3o podemos deixar de pensar em alguns temas: o transporte responde hoje por um quarto da emiss\u00e3o de gases e chegar\u00e1 a um ter\u00e7o em 2050 (incluindo avia\u00e7\u00e3o e transporte mar\u00edtimo). Ser\u00e1 que as pr\u00e1ticas atuais para limitar as emiss\u00f5es poder\u00e3o acomodar esse crescimento?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Finalizando o terceiro painel, Camilo Abduch Adas, da Be 8 Energy, apresentou sua palestra com o tema \u00a0\u201cO atraso da Am\u00e9rica do Sul para diesel verde e SAF\u201d. Apresentando-se como empres\u00e1rio, come\u00e7ou destacando o fato de que h\u00e1 muitos pensamentos diferentes na discuss\u00e3o dos temas. E que isso pode atrapalhar a tomada de decis\u00f5es importantes que, segundo ele, \u00e9 o que est\u00e1 faltando no momento. \u201cVim neste mesmo semin\u00e1rio h\u00e1 tr\u00eas anos e ainda n\u00e3o tomamos as decis\u00f5es que precisamos tomar. Como a Uni\u00e3o Europeia, que \u00e9 multicultural, j\u00e1 tem regulamento e n\u00f3s que falamos a mesma l\u00edngua n\u00e3o conseguimos?\u201d Para o empres\u00e1rio, o Brasil tem v\u00e1rios bons projetos que n\u00e3o saem do papel, como o programa Combust\u00edvel do Futuro. \u201cConversa-se muito e n\u00e3o se toma decis\u00f5es\u201d, declara.<\/p>\n<p>Para concluir os trabalhos do terceiro painel, Pietro Mendes, secret\u00e1rio de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis, do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, chamou ao palco os palestrantes, que responderam perguntas do p\u00fablico.<\/p>\n<p>O evento foi encerrado com Renato Linke, um dos coordenadores do Simp\u00f3sio de Efici\u00eancia Energ\u00e9tica, Emiss\u00f5es e Combust\u00edveis, agradecendo aos presentes pelas informa\u00e7\u00f5es e afirmando que \u201cn\u00e3o h\u00e1 um caminho \u00fanico a seguir, n\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o global para a mobilidade, mas sim diversas solu\u00e7\u00f5es regionais, que nos coloca como um pa\u00eds privilegiado, pois podemos optar por seguir in\u00fameras delas ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio Efici\u00eancia Energ\u00e9tica, Emiss\u00f5es e Combust\u00edveis, evento organizado pela AEA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Automotiva -, a primeira p\u00f3s-pandemia, aconteceu em 15 de junho, no Millenium Centro de Conven\u00e7\u00f5es, em S\u00e3o Paulo, tendo como tema \u201cMobilidade Sustent\u00e1vel e Acess\u00edvel\u201d. 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