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A indústria automobilística brasileira não tem mais outras alternativas: o plano A é competitividade, o plano B é competitividade e o plano C idem. Fora desse cenário, o setor tende a assistir, em berços esplêndidos, o crescimento da participação das novas entrantes.
A sustentação dessa tese é que, há menos de quarenta anos, passamos de quatro marcas de automóveis de passeio para 51 hoje, em sua maioria com estreias no mercado brasileiro nos últimos dez anos. Com isso, a demanda por autoveículos mudou radicalmente. Os números podem “falar” por si só: os dados de emplacamentos do acumulado deste ano, de janeiro a agosto, mostram que chegamos a 1.887.936 unidades, das quais 400.978 são importadas e 371.265 são unidades eletrificadas, que representam – respectivamente – 21,2% e 19,6% de marketshare.
E por que enfatizo o número e a participação de veículos eletrificados? Porque, hoje, é onde está mais acentuada a agregação de tecnologia. Como disse em recente entrevista ao Jornal do Carro, Oswaldo Ramos, COO da BAIC, pontuou “A revolução não é chinesa. É tecnológica”. A leitura de Ramos está corretíssima, à qual acrescento que o Brasil precisa adicionar competitividade, competividade e mais competitividade.
Outro dado de extrema relevância: com a chegada de novas entrantes, produtos atualizados e preços atraentes, o tíquete médio – nos últimos três meses – caiu de R$ 157 mil para R$ 152 mil, com viés de queda, a ponto de mexer com o comportamento das chamadas montadoras tradicionais e também com o mercado de seminovos. Hoje está mais acessível comprar um 0 Km do que um seminovo, diante de tanta oferta atrativa que combina tecnologia agregada e preço.
Esta sucinta reflexão é importante porque, na sequência, vem a inevitável pergunta: o que queremos para a indústria automobilística nacional? Em nossa opinião, o fato de sermos o oitavo país produtor de autoveículos e de termos o sexto maior mercado interno do mundo é extremamente relevante, balizados por vários aspectos, mas sobretudo por domínio do conhecimento automotivo, empregabilidade, renda, entre outros.
E para que possamos manter ou até elevar esse status, precisamos de previsibilidade, por meio de políticas industriais consistentes. A indústria, por sua vez, há que se dedicar à competitividade porque os desafios não são mais do futuro. São desafios de hoje.
Boa leitura a todos desta 11ª edição do AEA News.
Marcus Vinicius Aguiar
Presidente AEA
A AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva e o Instituto Minerva lançaram, no dia 26 de agosto último, durante o SIMEA 2026, o Programa de Residência em Engenharia Automobilística, iniciativa voltada à formação e ao desenvolvimento de engenheiros para as novas demandas da indústria automotiva. Com duração de dois anos e inspirado no conceito de residência médica, o programa integra formação em nível de pós-graduação, atuação profissional em projetos reais e acompanhamento técnico e de carreira.
A iniciativa nasceu de um desafio identificado no Fórum Estratégico de Engenharia da AEA, criado a partir da revisão do Plano Estratégico da entidade. Nas discussões sobre o futuro da indústria automotiva brasileira, a disponibilidade de mão de obra especializada apareceu como um dos principais gargalos, com destaque para a necessidade de formar e direcionar engenheiros qualificados para posições técnicas nas empresas.
SAIBA MAIS: https://minerva.org.br/residencia/automobilistica
Por mais de quatro décadas, a AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva tem participado dos principais debates técnicos do setor automotivo nacional, em parceria com o Governo Federal, indústria e academia, com o objetivo de suportar marcos regulatórios em favor do segmento responsável por 17% do PIB industrial e sobretudo da sociedade civil, com produtos mais seguros e menos poluentes ao meio ambiente.
Mais recentemente, no entanto, a entidade passou a lançar estudos que antecipam o futuro do setor automotivo, da engenharia nacional e da proeminência do polo industrial brasileiro, a exemplo deste “Caderno de Tendências Tecnológicas – Minerais Críticos & Materiais Estratégicos para a indústria da mobilidade”, desenvolvido pela Diretoria e Comissão Técnica de Manufatura, sob a coordenação de Carlos Sakuramoto e equipe.
Com essa publicação, de notório saber técnico, a AEA não deixou de estudar e debater temas cotidianos da indústria, mas acrescentou em seu portifólio a sua vocação de antever, de se antecipar, com o propósito de mostrar os caminhos de performance da cadeia automotiva nacional.
“Caderno de Tendências Tecnológicas” aborda minerais críticos e materiais estratégicos para a indústria da mobilidade nos próximos dez anos, período que pode se configurar como de transição energética, circularidade e de soberania tecnológica. E mais: será a década da oportunidade única e decisiva para a consolidação do papel protagonista do Brasil na cadeia global da eletromobilidade.
Em outras palavras, este documento desvenda como a inovação pode e deve impactar na competitividade industrial deste ou daquele país, na capacidade de controlar insumos críticos, desenvolver cadeias intermediárias e estruturar modelos de economia circular.
Trata-se de mais um trabalho de fôlego da AEA. Um documento de consulta permanente.
Depois do lançamento oficial no dia 16 de dezembro último, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, onde foram reunidos mais de 60 diretores e CEO das principais montadoras e sistemistas, a AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva realiza o 1º encontro do Fórum Estratégico de Engenharia no próximo dia 25 de março, na sede da entidade.
Por definição, fórum estratégico é um evento focado em discussão e planejamento de alto nível, de líderes, gestores e profissionais para debater tendências, desafios e oportunidades em determinada área, visando criar sinergia, alinhar visões definir melhores práticas e o futuro de um setor ou de uma organização.
Na opinião de Everton Lopes, vice-presidente da AEA e coordenador do Fórum Estratégico de Engenharia, “não se trata de xenofobia, as trocas internacionais são sempre muito saudáveis. Mas em nosso caso, em se tratando de descarbonização, tema que rege o nosso setor, o Brasil tem o direito de ser protagonista. A abundância de fonte renováveis no Brasil nos privilegia em mostrar ao mundo as tecnologias inovativas tão eficazes quanto de veículos 100% elétricos. Em nosso entendimento, não podemos aguardar os próximos movimentos setoriais, as próximas ondas, de braços cruzados. É premente debatermos o painel intitulado “Como impulsionar a engenharia automotiva brasileira” com serenidade e resolutividade. E mais do que isso, precisar repensar o Brasil como polo produtivo de veículos automotores”.
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