Engenharia da mobilidade brasileira faz seu maior evento
23/09/2009 - Maior evento técnico direcionado aos profissionais da indústria automotiva brasileira, o SIMEA 2009 – Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, em sua 17ª edição, organizado pela AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva e que aconteceu nos últimos dias 16 e 17 de setembro, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, começou em clima de desafios logo na solenidade de abertura.
O primeiro deles partiu do presidente da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Jackson Schneider, que – ao lembrar a ótima posição do Brasil, hoje o 5º maior mercado interno e o 6º produtor de automóveis e comerciais leves – convocou os engenheiros automotivos brasileiros a aceitar o desafio de fazer do País um dos pólos produtivos mais expressivos do mundo, além de convidar os profissionais da área a uma reflexão sobre o combustível ideal, diante da multiplicidade de fontes energéticas.
Na sequência outro desafio: o coordenador de Infraestrutura e Logística, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, José Roberto dos Santos, comunicou que o Estado possui um programa de redução de 30% em emissão de poluentes até 2020. E o diretor do Departamento de Indústrias de Equipamentos de Transportes, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Paulo Bedran, antecipou o programa de demarcação das áreas de plantio da cana-de-açúcar do Brasil, que visa desmistificar boatos de que o País está cultivando a matéria-prima do etanol em florestas tropicais.
Este ano, o simpósio desenvolveu o tema “Responsabilidade Sócio Ambiental da Engenharia da Mobilidade Brasileira: máquina e meio ambiente em equilíbrio sustentável”, subdividido em quatro paineis de trabalho - “Responsabilidade Social na Engenharia da Mobilidade: a integração da pessoa com deficiência física”; “A Reciclabilidade no Setor Automotivo”; “Alternativas para Reduções e Controle de Emissões Veiculares” e “Melhorias Sócio-Ambientais no Trânsito”. E mais 45 trabalhos técnicos foram apresentados, de um total de 84 inscritos, recorde do SIMEA.
“Com o tema central e os paineis, o simpósio conseguiu difundir informações que aliam a Engenharia da Mobilidade Automotiva às responsabilidades sócio ambientais dos agentes do setor, ao abordar temas como a integração de pessoas com deficiência física no universo da mobilidade urbana, a reciclagem dos veículos, os biocombutíveis e alternativas modernas para a redução das emissões de poluentes por veículos automotores e, ainda, os problemas de trânsito e segurança nas cidades”, enfatizou Luís Afonso Pasquotto, presidente da Comissão Organizadora do SIMEA 2009.
Após a sessão de abertura oficial do evento, coube ao diretor de Meio Ambiente da Abramet – Associação brasileira de Medicina de Tráfego, Henrique Naoki Shimabukuro, a primeira palestra do dia, com o tema “Leitura Crítica da Realidade Social no Trânsito”, no qual fez uma retrospectiva do homem e sua necessidade implacável de mobilidade. E, sobretudo, mostrou – em números – a realidade das
consequências advindas do tráfego urbano e das estradas brasileiras. Os números apresentados por Shimabukuro chocaram a plateia e os organizadores e foram uma referência em todas as demais palestras do dia.
No dia de abertura do SIMEA 2009, 16 de setembro, no Painel I, mediado pelo jornalista Bob Sharp, articulista da revista Carro, sob o tema “Responsabilidade Social na Engenharia da Mobilidade: a integração de pessoas com deficiência física”, Koji Okawa, diretor de engenharia da Toyota do Brasil, mostrou exemplos de veículos destinados aos deficientes físicos pela montadora japonesa, mas disponíveis somente no Japão.
A palestra da deputada estadual Célia Leão (PSDB-SP) foi a mais emocionante. Envolvida em acidente automobilístico aos 18 anos de idade e há 35 anos na condição de deficiente física, Leão mostrou sua capacidade de conviver com esta situação. Ao apresentar números mundiais e brasileiros, a deputada estadual – no entanto – disse que “os deficientes físicos não querem um tratamento diferenciado de outros cidadãos. Mas também não podemos fugir da realidade. Vinte e cinco milhões de brasileiros, equivalente a 14,5% da população, possuem algum tipo de deficiência. Trata-se de uma questão de justiça. E justiça só é possível com a promoção da igualdade”, finalizou.
Dentro do Painel I, falou ainda o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, que discorreu especialmente sobre a necessidade de se implementar políticas públicas com o objetivo de tornar realidade a inclusão da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida.
“A Reciclabilidade no Setor Automotivo” foi o tema do Painel II, com a participação do engenheiro Rubens Palmejan, da Cummins Brasil, sobre a reciclabilidade de motores. Neival Freitas, diretor executivo da Fenseg, discorreu sobre as experiências na reciclagem de componentes de veículos e, por final, o professor da GV e presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil, Paulo Roberto Leite, falou sobre a importância da “Logística Reversa como Oportunidade do Setor Automotivo”. A mediação desse painel ficou a cargo do repórter do jornal Valor Econômico, Guilherme Manechini.
Ao final do Painel II, coube ao gerente de Soluções Comerciais da Petrobras, Frederico Guilherme da Costa Kremer, dissertar sobre a “Matriz Energética Futura” e o fez com muita competência. Kremer abordou sobre o potencial do segmento automobilístico brasileiro e fez projeções quanto ao uso das diferentes fontes de combustíveis, oriundos do petróleo, das biomassas e do gás natural.
Com o tema “O Futuro do Etanol e a sua Aplicabilidade na Matriz Energética Mundial”, o diretor executivo da UNICA – União da Indústria da Cana-de-Açúcar, Eduardo Leão Sousa, em lugar de Marcos Sawaya Jank, presidente da entidade, convocado pelo presidente da República, foram abertos os trabalhos do 2º dia do SIMEA 2009, 17 de setembro. Uma das apresentações mais completas, Leão Sousa proporcionou um amplo panorama sobre o etanol, hoje a segunda matriz energética mais importante do País.
“Alternativas para Reduções e Controle de Emissões Veiculares” foi o tema do Painel III, mediado por Sebastião Oliveira, editor do Jornal do Carro, no qual Marcelo Rodrigues Soares (gerente de negócios da CPFL), Claudio Schultze (CEO da AVL South America) e Celso Macarini (coordenador da Comissão Especial de Veículos Diesel da AEA) expuseram para debate, respectivamente, os temas “Veículo Leve para Pequenas Cargas – O Primeiro Passo de um Veículo Elétrico Brasileiro feito em alumínio”, “Novas Fontes Energéticas Veiculares” e “Proposta de Regulamentação de Controle de Emissões de Veículos Diesel”.
O Painel IV, e o último desta 17ª edição do SIMEA, teve como desafio debater o tema “Melhorias Sócio Ambientais no Trânsito”, com Roberto Scaringella (Interação dos Meios de Transporte), Orlando Moreira (Segurança no Trânsito) e Luiz Imparato (Mobilidade no Trânsito – Impasses da Indústria Automobilística”. Boris Feldman, editor do caderno de automóveis do jornal Estado de Minas e apresentador do programa Vrum/SBT, foi o responsável pela mediação dos debatedores.
Antes desse painel, porém, o deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro, Hugo Leal, trouxe à baila a premissa de que o Brasil possui uma das legislações de trânsito mais rigorosas do mundo, mas pouco acompanhadas de ações educativas e de fiscalização. Em sua apresentação, Hugo Leal valeu-se também das experiências da Inspeção Técnica Veicular – ITV de países europeus, além de mostrar os resultados palpáveis em números de mortos e feridos na Europa e no Brasil.
Melhor trabalho técnico - “Investigação preliminar da performance do monitor de eficiência de conversão catalítica do OBDBr-2 com catalisadores de reposição”, de Eduardo Burgos, Michel Alves, ambos da Ford Motor Company Brasil, Paulo Baltusis (Ford Motor Company) e de Alan Arnhem (Umicore Automotive Catalyst), foi eleito o melhor trabalho técnico, segundo a banca julgadora liderada pelo professor Ronaldo Salvagni.
Os autores lembraram que este trabalho apresenta uma visão geral sobre os requerimentos do OBD-II e EOBD com relação a catalisadores de reposição bem como resultados preliminares da avaliação experimental da performance do Monitor de Eficiência de Conversão Catalítica do OBDBr-2 para diferentes configurações de catalisadores. A implementação do OBDBr-2, começando em 2010, representa um avanço significativo na direção de um sistema robusto e preciso de diagnóstico de falhas do sistema de controle de emissões, mas sua performance com catalisadores de reposição ainda não é conhecida. Atualmente, o OBDBr-2 não contempla qualquer requisito para catalisadores de reposição. Finalmente, é destacada a necessidade de um conhecimento mais detalhado e abrangente do comportamento dos catalisadores de reposição para que isto sirva de base para a definição de futuros estágios da legislação
de OBD no Brasil.
Do total de 45 trabalhos técnicos apresentados, outros cinco ganharam menções honrosas, a começar pelo “Óleo Diesel com baixo teor de enxofre – considerações quanto à lubricidade e condutividade elétrica”,
dos autores Mauro Iurk Rocha e Helineia Oliveira Gomes, ambos da Petrobras-Cenpes; “Avaliação do método de consumo de combustível via balanço de carbono – conforme descrito na ABNT NBR 7024 – e uma nova proposta”, de Rafael Gonçalves Monteiro, Akira Luiz Nakamura e José Roberto Caetano Machado, todos da FPT Powertrain Technologies; “Estudo do desempenho de um motor multicombustível operando simultaneamente com GNV e álcool etílico em diferentes proporções”, de Paulo Burger e Ramon Valle (da Universidade Federal de Minas Gerais) e José Baeta (da Sygma Motors).
E, por fim, menções honrosas aos trabalhos “Análise de risco aplicada à avaliação de sistemas mecânicos: sistema de freio automotivo”, dos autores Carlos Alberto Murad (GMB e USP) e Gilberto Martha Souza (USP) e “Análise da dinâmica do ocupante em acidentes de rolamento veicular (rollover) – métodos computacionais), de Anderson Lima (GMB) e de Rogério Marczak (da Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Fonte: Assessoria de Imprensa Texto Final